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Aprendendo a viver!

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Gosto da afirmação de Manfred F. R. Kets de Vries de que nessa vida tudo nos ensinam, menos como viver e como morrer! É muito comum, cada um viver de acordo com suas convicções, entretanto, quantos enganos não são cometidos por conta de convicções equivocadas. A torre de Babel persiste desde sua instauração. Ficção! Quem sabe? Porém, absolutamente, sólida ao se comparar as diferentes verdades que se originam de um mesmo fato ou evento, quando tomados sob o ponto de vista de distintas culturas; de variados níveis de conhecimento; de particulares graus de interesse; de desuniformes faixas etárias; de irregulares intensidades de conhecimento; de distintos níveis de vaidade; de um variado conjunto de crenças e religiosidades; enfim; dos tantos aspectos que fazem consolidar em cada mente uma perspectiva própria para se enxergar a vida, o mundo e o universo.

Embora invisíveis, invariavelmente, em quase toda discussão humana, cada indivíduo se arma com protetores auriculares, temerosos de que a verdade do outro possa transpor suas resistências emocionais e, quem sabe, despi-lo daquilo que, por decreto, deseja impor como certo. Com suas línguas cortantes e seus escudos viciados, lançam-se à disputa de um veredito, do qual o grande interesse é salvar seus próprios egos.

De que outro modo se poderia pôr abaixo essa torre, sem que se aprenda a ter um genuíno interesse e amor pelo próximo? Como prover harmonia aos homens, sem que se veja em cada pessoa um espelho de si mesmo? Sem se compreender que nenhuma verdade é suficientemente boa se resultar na destruição moral, intelectual, física, sentimental ou espiritual do semelhante!

Diz-se que as maiores realizações se encontram nas coisas mais simples e que, justamente, por serem soluções tão simples, acabam desprezadas pelos egos ávidos pela glória da sofisticação. A verdade reluzente surge do homem nu e, de tal forma inocente que, sequer, se dá conta de estar despido. Não há brasões nem etiquetas a colocá-lo neste ou naquele patamar de grandeza, pois a cada vez que se destrói o outro, destrói-se junto um pouco de si mesmo!

Quanto mais a ambição, a vaidade e a inveja invadem o coração do homem, mais Babel se agiganta. Contudo, não há torres ou paredes que resistam as virtudes inerentes ao bem supremo, ao amor incondicional, à fraternidade sem medida! Quem passar por essa vida sem aprender a ver em cada ser vivente, um alguém que mereça amor e respeito, entrará pobre na outra dimensão da vida, da qual não haverá retorno! De nada valerá ouro, prata, títulos e posses lá do outro lado! Quem chegar ao fim e não estiver bem consigo mesmo e com o seu entorno, como poderia descansar em paz na eternidade?

O bem viver não carece de posses, mas de amor! Gilmar, um negro meu amigo, sem uma moeda sequer no bolso ou no console do carro, sentiu-se constrangido por dar uma resposta negativa a um jovenzinho de olhar triste, que o abordou no sinal fechado, lhe perguntado se não teria nada para lhe dar. Em um momento desses de inspiração e coragem, respondeu: Tenho sim! Abriu a porta, desceu do carro e deu um enorme e afetuoso abraço no menino. Ambos choraram e foram aplaudidos por quem acompanhou a cena! Me emocionei com essa história.

Vries disse que se alguém soubesse quando iria morrer, o que mais essa pessoa gostaria? Provavelmente, na hora da passagem, estar rodeado das pessoas que mais amou e que mais significaram para ela ao longo da vida. Contudo, em nossa sociedade moderna, provavelmente, incontáveis são aqueles que passam seus últimos dias em uma sala de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com direito a 15 minutos de visita por dia e de no máximo duas pessoas. E se não bastasse, possivelmente, morrendo de medo e tensão, por nunca ter se preparado para tal experiência. Ali encarando o próprio fim, repleto de dúvidas sobre o que o espera do lado de lá, pois sempre se imaginou um highlander (imortal).

Me perdoem o tom dessa mensagem, porém, li certa vez, que às vezes se aprende mais sobre a vida em um velório do que em uma festa. Quase sempre, olhar a fatalidade nos olhos costuma incentivar altas reflexões sobre o verdadeiro sentido da vida!

Cara! Desarme-se! Abra mão das suas verdades em favor do amor! Pode ser difícil até se acostumar, mas a experiência tem mostrado que vale muito a pena!

Marcondes, 18 de dezembro de 2015            02:19

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