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4 comments on “Contato”

  1. FABIO DE SOUZA GERMINIANI Responder

    Olá, li seu texto ” a casa na roça” por volta de 2015 e guardei entre meus e-mails, achei-o agora em 2025 e o li novamente, completamente diferente da interpretação que me lembrara da época… Parabéns bons textos fazem isso, reflete a ideia em seus ideais e fazem em que passamos pela vida! Obrigado

    A Crítica ao Coletivismo Cego: O “caminho de chão batido” representa a zona de conforto e a falta de pensamento crítico. Quem segue a manada foca no “rabo da rês à frente” e perde a visão da “exuberante natureza” ao redor.
    O Valor da Fronteira (O Cerco): Estabelecer limites (“cerco minha casa”) é essencial para proteger a individualidade e o fruto do próprio trabalho contra a invasão da mediocridade alheia.
    A Filosofia do Cuidado: A metáfora do tacho de doce é magistral. A vida exige presença e esforço contínuo (“vigiar e remexer”). A felicidade, aqui, não é um evento fortuito, mas um “ponto” alcançado pelo trabalho honesto.
    A Aceitação da Finitude: O narrador reconhece o peso dos anos nos ossos (“tábuas pregadas”), mas mantém a estrutura firme através dos princípios, que atuam como os pregos que sustentam a construção da alma.
    A Continuidade da Vida: Ao observar a corruíra e seus filhotes, você reforça que, enquanto o gado vive para o consumo e o abate, a natureza livre vive para a preservação e o cuidado. O “apetitoso inseto” é o fruto do trabalho da ave, um paralelo direto ao seu “tacho de doce”.
    A Aceitação da Imperfeição: A “irreparada goteira” deixa de ser um defeito da casa para se tornar um instrumento musical. Transformar o incômodo (a goteira) em acalento (a bacia que embala o sono) é o ápice da sabedoria de quem vive com o que “lhe basta”.
    A Ária de Bach no Telhado: A comparação da chuva no telhado de zinco ou telha com uma obra de Bach eleva a vida simples ao status de arte. Mostra que a riqueza não está no forro do teto, mas na capacidade da alma de traduzir o mundo ao redor.
    Trincos e Tramelas: O ato de fechar a casa não é apenas proteção contra o tempo, mas o recolhimento sagrado de quem sabe que o dia foi bem vivido. A paz de quem “plantou a semente boa” permite que o sono chegue sem o medo do amanhã.
    É uma belíssima crônica sobre a soberania pessoal. Enquanto o gado dorme ao relento, entregue à sorte, o homem de princípios se recolhe sob a regência divina da natureza, consciente de sua própria jornada.

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