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Sobre a natureza das pessoas!

Foto capturada da internet para simples ilustração

Em seu ensaio sobre a ira, Sêneca diz que, em geral, somos otimistas. Partimos sempre do pressuposto que as pessoas ao nosso redor possuem o mesmo nível de educação, de entendimento dos fenômenos da vida e de autoconsciência que temos. Provavelmente, por conta disso, nos frustramos com tanta frequência, pois esperamos que todos ao nosso redor, reajam e se comportem de modo alinhado ao que nos parece mais sensato. Contudo, muitas vezes isso não ocorre.

Em um país como o nosso, onde falta um padrão adequado de escolaridade, de cultura e de cidadania, é muito fácil que alguns grupos se desinteressem pelo sofrimento alheio, uma vez que sua “tribo” esteja bem. Se meu grupo está bem, tudo está bem e o país é um paraíso, ‘o inferno são os outros’, como disse Sartre.

Talvez, isso explique porque Dinamarca, Suécia e Noruega são países onde se vê menos injustiça social. Pois o acesso mais fácil à cultura e à escolaridade contribui para que seus povos se entendam como nação única. Ao longo do tempo, aprenderam que é impossível ser feliz no particular, enquanto o coletivo, ao seu entorno, estiver sofrendo privações!

Todos sabemos que o comportamento, as atitudes, o modo de pensar, o juízo de valores e o senso de justiça de cada indivíduo, varia conforme suas respectivas experiências de vida. Em particular, àquelas vividas na infância e na adolescência. Muito da educação de cada pessoa vem do berço em que nasceu, dos ensinamentos que recebeu de seus mentores mais importantes e da escola que pode frequentar!

Para alguns é perfeitamente aceitável andar até 300 metros, se necessário, para estacionar o carro em uma vaga adequada às pessoas normais. Outros, no entanto, embora normais, entendem ser, absolutamente adequado, estacionar na vaga para idosos ou cadeirantes. Alguns pensam ser civilizado e nobre, esperar por sua vez, na fila dos congestionamentos, enquanto outros entendem ser inteligente e esperto, ultrapassar pelos acostamentos e estacionar em filas duplas, pondo em risco ou infernizando a vida de tantos outros.

Há pessoas que jamais jogariam um papel de balas pela janela do carro, enquanto outras sentem-se muito à vontade em jogar pela janela, qualquer coisa que os esteja incomodando dentro do carro. Se duvidar, até a sogra!

Em geral, independente de quem, cada um por sua vez, se sente ofendido pela a atitude do outro. Sem entrar no mérito de quem está mais certo, cada um se sente desrespeitado.

Nesse caso, ocorre um desrespeito entre pessoas. Porém, as mesmas razões levam muitos a desrespeitar da mesma forma a fauna e a flora! Há pessoas que precisam que aquele belo pássaro canoro cante apenas para si mesmas, ou que aquela linda e perfumada flor, sirva de ornamento, unicamente, para suas próprias vidas. Tomam algo que pertence à natureza ou, de certa forma, à coletividade, para o seu particular. E, para muita gente, isso está certo!

Sempre, cada indivíduo reagirá aos desafios e circunstâncias que o cercam, de acordo com suas crenças e valores. Alguns, movem-se por conta da coragem. Outros por conta do medo. Muitos por serem céticos. Outros tantos por serem crentes. Ante ao perigo, alguns lutam. Outros fogem. Há ainda os que oram e lutam ou oram e fogem. Nisso tudo, vejo apenas uma certeza, não há êxito ou fracasso que não tenha nascido primeiro na mente! O maior dos desafios, portanto, é superar-se. É vencer as próprias crenças ou a própria ignorância.

Como disse Carl Jung, ‘até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você irá chamá-lo de destino!’

 

Marcondes, 14 de Setembro de 2018     03h03

 

 

 

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