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O descanso já é nobre por si só!

Criado sob a égide de que o trabalho enobrece o homem, convicto de que é com o suor do rosto que se ganha o pão, ciente de que a competição pela vida se vence fazendo mais, treinando mais, estudando mais, se dedicando mais, caprichando mais. Torna-se o homem tão disponível ao trabalho, e por tanto tempo, que tal disponibilidade acaba por consolidar-se em obrigação. Cada indivíduo é um átomo ativo do capitalismo. Afinal, alguém precisa acelerar a economia. Quanto mais ocupado maior o status, maior a autoridade, mais elevados os ganhos financeiros, maiores são as posses, maior o poder de sedução, maiores as concessões para a vaidade. Nascido para vencer, para vingar-se da origem singela, para saciar a fome antiga, para convencer o mundo sobre sua superioridade e poder de liderança, não há tempo a perder, nem a socializar. O êxito profissional requer planejamento, organização, direção e controle. Mas, seria só ele o requerente de tais ações? E a vida, essa que é única, a esfriar o café, a empoeirar as esperanças, a sacrificar convívios, a embaçar a visão, a ensurdecer os ouvidos, a criar sulcos na face, a pratear os cabelos e a perder o sábado. Esse que um dia já foi consagrado ao descanso e à adoração!

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