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Julgamentos precipitados conduzem ao erro!

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Conta-se que certa vez, uma jarrinha, ouvindo os lamentos de um homem que ardia em febre, com a boca ressecada de sede, suplicando para que alguém lhe trouxesse, ao menos, um gole d’água, sentiu-se tocada! Aparentemente,  o desafortunado fora esquecido por todos em seu leito improvisado, em um corredor de hospital e ela, a jarrinha, ainda que natureza morta, ante tamanho flagelo, sensibilizou-se!

Por conta disso e por razões que só mesmo a paranormalidade poderia explicar, sentiu a jarrinha tal compaixão que, graças a um superlativo esforço e vontade própria, conseguiu deslizar-se sobre uma pequena mesa, junto da maca, até aproximar-se o suficiente da mão do enfermo. Tal fato, embora pareça ao leitor uma ficção, só foi possível porque, nesses tempos, o descaso com a saúde pública era tanta, que até os objetos começaram a se apoderar de ânimo, como que tomando para si missões, que por lógica, caberiam obviamente aos humanos.

Em seu desespero e crente de que um milagre estava em progresso, aquele senhor esticou seus dedos trêmulos e assim pode alcançar a jarrinha. Agarrando-a firme pela alça, sentiu-se perplexo e aliviado. Enfim, matarei a sede. Pensou! Juntando forças, levou rapidamente a jarra até a boca na esperança de sorver o maior volume de água que lhe fosse possível. Para sua grande decepção, no entanto, ao tocar os lábios à borda da pequena jarra, notou que a mesma estava completamente vazia!

Enraivecido, o moribundo então, reuniu toda a energia que lhe restava e arremessou a jarrinha contra uma parede onde, ao espatifar-se, fragmentou-se em numerosos e inúteis pedaços de vidro.

Por mais nobres que sejam nossos sentimentos, por mais estressantes que sejam nossas agonias, antes de movermo-nos em qualquer direção, é preciso certificarmo-nos de que estamos providos da devida sabedoria e do necessário conteúdo. Grandes frustrações nos ocorrem por considerações equivocadas! Evite tomar desafios por uma única perspectiva.

Obs: Esse texto foi inspirado em conto de Idries  Shah, El Monastério Mágico.

Marcondes,    21 de outubro de 2016     02:39

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10 comments on “Julgamentos precipitados conduzem ao erro!”

  1. Mariza Ferreira Responder

    Excelente texto porque todo ato de compaixão desperta em nós a esperança no outro, muitas vezes perdida pelas situações vividas e nos leva também a refletir que ajudar requer mais que um desejo, requer antes de tudo, uma avaliação do que o outro está buscando em nós e o temos condições de oferecer.

    • Sandra R V Rodrigues Responder

      Oi Marcondes.

      Por algum motivo qualquer, hoje me lembrei logo cedo, de uma oração,
      que segundo consta foi escrita pelo meu grande São Francisco de Assis.

      Senhor, dai-me força para mudar o que possa ser mudado…
      Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
      E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

      É isso.
      Abração.
      Sandra

      • viniciuscastro2014 Responder

        Olá Sandra!
        Muito obrigado pelo comentário e por me recordar a sabedoria de São Francisco de Assis!
        Tenho grande admiração por ele!
        Grande abraço!
        Marcondes.

    • marcondes Responder

      Olá Mariza!
      Muito obrigado pelo comentário!
      Estamos alinhados.
      Compadecer-se é, provavelmente, uma virtude.
      Contudo, a bondade em si, talvez, não seja suficiente para se ajudar alguém. Se não estivermos à altura do que o necessitado, realmente, precisa, existe a possibilidade de quem ambos acabem frustrados!
      Grande abraço!
      Marcondes.

    • viniciuscastro2014 Responder

      Grannnnnde José Buscapé!
      Se faz sentido pra você, fico muito feliz!
      Significa que estou no caminho certo!
      Grande abraço!
      Chico Paco.

  2. Denise F Responder

    Concordo que antes de se tomar uma decisão de se seguir em frente com um desafio, diversas questões devem ser consideradas para que a frustração seja a menor possível. No entanto, devemos nos lembrar que muitas vezes analisar pontos em demasiado podem nos levar a não agir, a sentir medo. Ainda que possamos perder tudo ao final, a tentativa em si é sempre válida. Mais vale o homem que tenta do que o que se observa

    • viniciuscastro2014 Responder

      Olá Denise!

      Me sinto honrado com a tua visita e comentário!
      Muito obrigado pela contribuição.
      Penso que a sabedoria reside em saber separar razão, emoção e, talvez, alguma coisa mais entre essa bipolaridade!

      A compaixão poderia, por exemplo, levar alguém a tentar remover uma vítima de um acidente de trânsito, presa nas ferragens de um carro. Contudo, sem o devido conhecimento ortopédico ou medicinal, essa compaixão poderia fazer ainda mais mal à vítima, se o deslocamento sem a devida precaução, por a vida do acidentado em risco ainda maior!

      Por outro lado, seria desumano, nada fazer enquanto a vítima agoniza!

      O que mais me marcou nesse texto de Idries Shah é que buscar ajudar alguém, sem o devido conteúdo, pode gerar um resultado oposto ao desejado para ambos!

      A jarrinha entregou-se de corpo e alma, tocada pela compaixão, talvez, sem considerar os possíveis desdobramentos da situação. Ela percebeu a sede do próximo e se aproximou, sem levar em conta, o quanto uma pessoa pode ser imprevisível, ante a uma situação desesperadora e frustrante!

      Tão preocupada em fazer bem ao próximo, sequer avaliou se tinha o conteúdo tão necessário para aliviar a dor do enfermo!

      Mais uma vez obrigado pelo comentário!

      Abraço!

      Marcondes.

  3. Marcos Santos Responder

    Este texto é bastante válido em uma situação de separação de pais com flihos menores envolvidos. Amor e sabedoria são divinos.

    • marcondes Responder

      Olá Marcos!
      Muito obrigado pelo comentário!
      Como humanos, muitas vezes nos deixamos levar pelo coração.
      Nem toda ação tomada com base apenas no coração resultará em sucesso!
      Grande abraço!
      Marcondes,

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