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Depois. Maneira suave de dizer “nunca”!

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Dizer que depois tomará uma decisão é um modo ameno de livrar-se da responsabilidade de decidir agora, sobre algo para o qual não se julga preparado ou não tem a devida coragem! É também uma forma de poupar-se dos ressentimentos, que alguém poderia ter, se soubesse agora a real opinião daquele que, estrategicamente, decidiu manifestar-se mais tarde. Deixar para depois, quase sempre, será fruto de alguma incapacidade, incompetência, meramente preguiça ou, quem sabe, doença!

Pessoas, muito gentis, preferem a superficialidade, do que ferir sentimentos. Para quê levar ao fundo, quem se contenta em estar à tona? Entendem que a verdade pouco ajudará a quem só ouve o que lhe agrada os ouvidos. Por conta disso, poupam quaisquer argumentos a quem se julga acima de tudo e de todos. Se já se embebecem de si mesmos, o que alguém, seja quem for, poderia lhes acrescentar?

Essas pessoas gentis, às quais me refiro, expressam espanto com um fato de seu prévio conhecimento, riem de uma anedota já conhecida, não por hipocrisia ou cinismo, mas por entenderem que uma amizade vale mais que uma verdade expressa fora de hora. Estão convictas de que ninguém mudará qualquer outro, sem que este outro, esteja em busca de novas respostas, para antigos questionamentos. Sabem que sabedoria não se impõe. Trata-se de um livre arbítrio. Neste caso, convém deixar para depois, uma vez que, as circunstâncias do agora, não são favoráveis. 

Tratando-se de seres humanos, nada se move, nenhum progresso racional ou emocional ocorre, até que a autoconsciência de cada indivíduo, assim, o conceda! Tudo se move em função do “ser” e nenhum poder ser pelo outro! Tenho para mim, que só se pode ensinar a quem deseja aprender e cabe aos mestres despertar tal desejo. Todavia, a experiência tem mostrado, que os mais eficazes mestres, para isso, não são pessoas, mas sim o tempo, as crises e os sofrimentos.

O egocêntrico só vê a própria imagem. Aquele que se julga pleno é mestre de si mesmo. É incapaz de aceitar qualquer outra prioridade, além daquela que lhe for pessoal. É também indiferente e insensível aos demais. Incauto, ainda que alguma sugestão lhe ponha em perspectiva de uma solução inovadora, em relação à que tenha elaborado, refugia-se em suposta falta de tempo para avalia-la. Tendo as próprias prioridades na pauta, todo o demais pode ficar para depois!

Ainda que ouça ou leia uma reflexão contundente, essa nunca o afetará. Reflexões são para mortais. Deuses vivem no Olimpo e lá tudo está sempre certo e se, por ventura, não estiver, passará a estar por decreto. Caso o caldo entorne e Zeus se aborreça com esse estado de coisas, encontrar-se-á um mortal em quem se por a culpa. 

Age melhor o que assume que não fará, do que aquele que diz: Farei depois! O “depois” apenas alonga a fila de pendências. Além de não trazer qualquer benefício, consolida-se como um grande sugador de energia psíquica. Não se quer com isso, afirmar que nada poderá ser feito em outro momento. É óbvio que poderá! Contudo, para que não se torne um mero e impotente “depois”, marque data e hora para começar, prazo para terminar e cumpra as promessas feitas. É tudo uma questão de querer e “querer é poder”!

Marcondes, 25 de Agosto de 2016        00:13

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