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Vendas uma profissão de fé

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A profissão de vendedor talvez seja uma das mais ingratas. Quando a economia está aquecida e as metas de vendas são superadas, ele ouvirá que os resultados vieram em decorrência do mercado aquecido. Quando a economia se retrai e os objetivos de vendas não são alcançados, ouvirá que faltou competência. Se vem cedo para a empresa resolver alguma pendência, porque a produção do cliente parou, por conta de um pedido em atraso, ouvirá que é por isso que a empresa está mal, pois ao invés de estar visitando clientes, o folgado não sai do escritório.

Se acordou às 04h00, foi até um cliente em Piracicaba – mais de 200km de distância; desmontou um componente que precisava de uma manutenção urgente, fazendo o papel da assistência técnica, que estava indisponível e chega de volta na empresa às 10h30, para providenciar um conserto imediato, ouvirá de alguém: “ Ô vidão! Olha só a hora que o vagabundo chega na empresa! Todo bonitão, perfumado, engravatado, carrão da companhia! Por isso que a empresa não dá lucro! ”.       

Se, após uma longa e desgastante negociação de uma cotação de R$450 mil reais, que passou das 13h00 e, finalmente, conquistou o pedido e, por cortesia, convidou seu cliente VIP para almoçar em um bom restaurante dentro de um Shopping e, alguém da companhia o vir, poderá dizer: “ Olha lá o marajá! Olha até que hora vai o almoço do gostosão! Ao invés de vender vem paquerar as meninas no Shopping a essa hora do dia! ”

Talvez o que relato seja um exagero. Porém, já vi muito disso ao longo da minha vida em marketing e vendas. Sei que não é todo mundo da organização fora de vendas, que pensa e fala assim, na verdade, só os invejosos o fazem. Farão isso até que um dia, por ironia do destino, consigam uma oportunidade em vendas. Chegando lá, passarão a praticar tudo o que imaginavam que deveria ser vendas. Chegarão mais tarde, sairão mais cedo, gastarão muito com representações desnecessárias com clientes, irão passear no shopping, em horário de expediente e sem qualquer justificativa ligada à atividade de vendas e, assim, logo ‘tomarão um pé na bunda’ porque nunca souberam o que é vender!

O vendedor é como se fosse um procurador dos donos e acionistas, leva consigo a responsabilidade de agir com foco nos objetivos de resultados da empresa. Se por um lado a profissão de vendedor oferece muita liberdade, na contrapartida, vem proporcional volume de responsabilidade e pressão por resultados.

Um vendedor profissional e emocionalmente inteligente, dá a mínima para os comentários maldosos, pois só deve satisfação aos seus superiores e aos seus clientes. Embora não tenha subordinados, é um gestor de uma área de vendas e responsabiliza-se por promover não só a venda de produtos e serviços, mas a manutenção de um relacionamento mutuamente rentável para a empresa que representa, tanto quanto para o cliente.

Obrigatoriamente, precisa ser melhor que todos os seus concorrentes, tanto técnica, quanto comercialmente, além de conquistar a plena confiança do cliente e, com isso, desenvolver um ótimo relacionamento. Enfim! Vender, além de uma arte é uma profissão de fé! Exige uma responsabilidade missionária de ensinar o cliente a crer em sua marca e seus serviços, auxiliando o mesmo a aplicar corretamente seus produtos, para que este, como retorno, obtenha o máximo sucesso e, assim,  torne-se um cliente fiel!

 Marcondes, 23 de fevereiro de 2016                     01:46

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