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O melhor da diversão vem da imaginação!


 

01abc Meninos Lama

Na mais profunda memoria o homem não é outra coisa se não lama. Por mais que se eleve na cultura, na intelectualidade, na ciência, na tecnologia; em tudo depende da terra e da água. Ainda que conquiste o espaço intergaláctico, não irá a lugar algum sem água ou sem comida. Todo o alimento que necessita, de um modo ou de outro, não vem de lugar algum, se não da terra ou da água. Embriagado de sua vangloria , sobrecarrega-se de sinais e ondas. Equipa-se de todas as formas e por todos os lados dos mais sofisticados dispositivos eletrônicos, óticos, acústicos, fotoelétricos e mecânicos. Inunda-se de luzes, bips, imagens, cores e sons, contudo, a menos que seja puro espírito, não viveria mais do que três dias sem água, nem mais do que umas poucas semanas sem algum alimento.

Com uma agenda extremamente comprometida e cronologicamente saturada, pesa-lhe a escassez de tempo para certos fundamentos, que por ora não lhe parece tão prioritários. Por conta do remorso adiantado que sente, de abrir mão da irradiação de sua personalidade no desenvolvimento do carisma dos próprios filhos, sobrecarrega-os de mimos, marcas, games, jogos e brinquedos impregnados de alienações. Tudo pronto e programado para o consumo imediato e semeadura do consumo futuro.  Nada a ser criado. A odisseia da infância já vem pré-definida e restrita aos interesses de um capitalismo consumista, disfarçado em aventuras e super-heróis que nada têm a ver em termos de originalidade e raízes autóctones (próprias do lugar de origem).

Óh príncipes e princesas de mantos de toalha de banho, oh aviões de papel dobrado, oh barquinhos de enxurradas, oh naufrágios do meu quintal, oh meus leões de blusas atiradas ao chão da sala, oh conquista de territórios da beliche de cima, oh minha bola de meia, oh minhas traves de tijolos, oh marujos e piratas de panos de prato amarrados à cabeça, oh cavalos de pau, oh volantes de tampas de panelas, oh ônibus de cadeiras tombadas, oh cabanas de lençóis, oh cavernas de cobertores, oh cantigas de roda, oh minhas vaquinhas de sabugo de milho e chifres de arame, oh paraquedas de sacos plásticos, oh meu esconde – esconde, oh pipas, oh piões de fieira, onde foi que os esconderam? Venham, por favor, em socorro da minha autoconfiança  e criatividade futura, tragam contigo o maior dos meus heróis e o nomearei, não um grande executivo, antes disso, o imperador primeiro dessa nação, mais conhecida como “Faz de Conta”!

Marcondes                                16 de Julho de 2014                  02:42

 

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14 comments on “O melhor da diversão vem da imaginação!”

  1. sandra regina rodrigues Responder

    Bom dia .

    Apesar do tempo, sempre lembramos de vc.Assim q li seu artigo, pensei na frase q o Rodrigues
    sempre fala:

  2. sandra regina rodrigues Responder

    Olá Marcondes.

    Faltou a fala.Lá vai : Quem foi q disse que a terceira idade é a melhor idade?

    Bom mesmo era o tempo do barquinho de papel,,,

    Bjos
    Sandra.

    • marcondes Responder

      Olá Sandra!
      Espero que todos estejam muito bem por aí!
      Obrigado pela visita e pelo comentário.
      Penso que no mundo moderno há uma tendência para o artificial e para o superficial.
      A tecnologia fabrica tudo e toma o espaço útil da imaginação das crianças.
      Fiquei feliz com tua visita!
      Grannnnde abraço a todos!
      Marcondes.

  3. ferretti@cofast.com.br Responder

    Chico Paco, isso é a pura verdade verdadeira…Óh pedrinhas no assoalho do carro do amigo, óh partes de lapiseira espalhada pela empresa, óh tempo precioso de um pedaço de pizza do “dedão” no balcão com um grande amigo…Ôôô verdadeiro faz de conta saudável que pode se encaixar nessa reflexão. Um baita abração.

    • marcondes Responder

      Grande amigo quase irmão!
      Também me lembro sempre dos bons tempos da Villares.
      Da pizza carimbada do Ambrósio, da Judite que pegou fogo, da faquinha de arrancar massa do carro podre, do pobre do Baianinho, do Magnólio que tomava o bife da Augusta, o cinzeiro colado no centro da tua mesa e tantas outras histórias.
      Naquele tempo, nós mesmos fabricávamos a felicidade a cada momento!
      Valeu meu amigo, que Deus abençoe o teu dia!
      Chico Paco!

  4. Renata Feitosa Responder

    Bom dia!

    Belíssima reflexão!

    Só quem soube ser criança, e viveu intensamente, cada etapa da sua eterna infância sabe que o “faz de conta”, fez todo sentido, para tornarmos pessoas felizes…
    E entender que a Felicidade esta na simplicidade de tudo, até mesmo em um tímido sorriso..

    Abraço, Renata Feitosa.

    • marcondes Responder

      Bom Dia Renata!
      Estamos alinhados!
      No passado com a tecnologia menos disponível e sem a massificação da mídia, as crianças valiam-se mais da imaginação e da criatividade para brincar e ser feliz.
      Creio que havia mais pureza e autenticidade que, a meu ver, contribuíam mais para a formação de um adulto emocionalmente mais saudável.
      Muto obrigado pela tua visita e pelo comentário!
      Grande abraço!
      Marcondes.

  5. Antonio Carlos Rodrigues Responder

    Meu neto (7 anos) está passando férias conosco. Esta semana minha cama se transformou em cabana de cobertores e lençóis. Domingo fizemos pequinique no parque, com direito a formigas. Na semana houve bexigas d’água estourando pelo quintal. Depois do banho, invariavelmente, ele sai de capa de toalha com o bingolim de fora. Sem contar o número de vezes que temos de encontrá-lo no seu canto secreto (?). Na verdade, ele é o BATMAN. Nas horas vagas é meu neto. Acho que estamos no bom caminho. Viva nóis!!!
    Um abraço e obrigado pelo texto maravilhoso.

    • marcondes Responder

      Estimado Antonio!
      Que alegria me deu de ler o teu comentário!
      Parabéns pelo neto!
      Estou na expectativa de poder viver essa felicidade junto à Mulher Maravilha, que deve chegar nas primeiras semanas de Setembro e que nas horas vagas será a Marcela, minha neta.
      O prazer de poder ser coadjuvante desses nossos pequenos príncipes e princesas não tem preço!
      Muito obrigado por partilhar um pouco da vida do Batman comigo!
      Que Deus os abençoe grandemente!
      Marcondes.

  6. maicon oliveira Responder

    Fazer atividades, brincadeiras, atitudes simples, nos faz pensar de maneira diferente, muda o jeito de ver o mundo!

    • Francisco C Marcondes Responder

      Olá Maicon!
      Obrigado pelo comentário e pela visita ao blog!
      Exatamente isso que eu penso. Creio que o excesso de tecnologia influencia comportamentos, valores e crenças. De certo modo, pode fazer com que a formação do homem moderno perca originalidade e a virtude contida na simplicidade e no poder da imaginação!
      Grannnde abraço e mais uma vez obrigado!
      Marcondes.

  7. Aldeci Santos Responder

    Bom dia Marcondão, parabéns pelo resgate. Pensei nisso faz alguns dias, não com relação às brincadeiras de criança da nossa geração, mas as brincadeiras sadias que fazíamos no ambiente de convívio de casa e do trabalho. Em casa eu não mudei, mas hoje eu sinto que o momento nas empresas exige dedicação total para alcançar os resultado e quase não vemos risos nas pessoas.
    A crinça que vive ” dentro e fora de mim ” ainda é um membro da resistência e vai lutar até o fim para manter vivo essa alegria empresarial.
    Seu texto foi muito bom!
    Abraço

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