Logo-grupo-cimm

Primeiro o valor, depois a vida!

11 AAA CriançasDaí a Raposa disse:

— Nossa! Esse é o terceiro encontro que te vejo com a mesma roupa! Acho que o sapato também é o mesmo da semana passada, não é não?

Ao quê o Javali respondeu:

— Sim! A senhora tem razão. Aliás não me lembro desde quando uso essa mesma roupa. Sabe que para me facilitar a vida, tenho apenas 3 pares de roupas e são todas iguaizinhas, cor, modelo, tudo! Desde modo economizo tempo de manhã. Não preciso decidir entre essa ou aquela roupa! Assim, ganho um pouco de tempo, sabe? kkk

— Mas você não acha isso um tanto monótono? As pessoas podem pensar que você é um bode velho e muquirana, que não tem dinheiro nem para se vestir um pouco melhor! O senhor não acha? Disse a raposa.

— Bode não né Dona Raposa! É capaz do Bode não gostar! Um Javali velho, quem sabe! Mas, pois é! A senhora tem toda a razão e tenho pena das pessoas que possam pensar assim, pois valorizam mais as aparências do que o conteúdo dos seus semelhantes! Ainda bem que tenho minha autoestima elevada! Se não já pensou quanto dinheiro eu não teria de gastar com supérfluos?

— Supérfluos? Disse a raposa.

— Sim supérfluos! Essas coisas que compramos, muitas vezes por impulso ou só para agradar aos demais ao nosso redor, mas que no fundo não as precisamos! Sabe? Tenho comigo que quanto mais uma pessoa gasta, mais carente de atenção ela é! Concordo que todos devam ter um mínimo de vaidade, mas essa deve ser regida pelo gosto pessoal, não pelo que pensam os outros. Quem se veste em função da opinião de outras pessoas, sejam elas quem for, perde a autenticidade e com isso se torna mais um alienado. Mas é uma opinião minha, entende?

— Boa resposta Sr Javali, mas neste mundo ainda há muita empresa que valoriza as aparências! Teu chefe nunca te falou nada?

— Veja só que sorte eu tenho Dona Raposa! Aqui onde presto meus serviços o rei Leão me paga pela minha competência, ou seja, pelos resultados que gero e não pela roupa que eu uso! E sabe? Há tempos que nem me dou conta que os demais colegas usam sapatos! Acho que tenho me concentrado por demais no trabalho! Porém, penso que esses detalhes uma hora ainda vão me trazer algum descrédito. Ao menos com pessoas apegadas à aparência externa. Ainda bem que tenho a senhora por perto para me aconselhar! De todo modo, penso ser mais importante estar limpo e bem asseado do que estar diferente ou na moda! Depois, tem um outro ponto, no fim das contas essa belezura toda vai pesar no meu saldo bancário no fim do mês! Que pobreza, não Dona Raposa? kkk

Dando continuidade à conversa a Dona Raposa falou:

— Sabe que outro dia passei horas no meu i-phone com minha amiga Arara discutindo esse tema. Ela é muito apegada às cores da moda. Aliás acabou de voltar de Paris e me falou sobre as novas tendências na Europa! Por falar nisso! Vejo que o senhor não tem i-phone e ainda trabalha com esse laptop antigo e pesado!

— Pois é Dona Raposa! Tá vendo o relaxo aqui do seu amigo? Sabe que tenho resistido muito ao mundo virtual? Ainda gosto de olhar meus amigos nos olhos e curto muito a possibilidade de espremer seus corpos por entre meus braços! A senhora não tem noção de como eu curto abraçar as pessoas e ler seus semblantes e pensamentos! Ah! Acho isso maravilhoso!

Continuando o Javali salientou:

— Sabe Dona Raposa, às vezes trabalhamos anos com pessoas que se quer sabemos o nome inteiro. Muitas vezes sabemos seus apelidos ou o primeiro nome, mas nada além disso! Não sabemos onde nasceram, se tem filhos ou irmãos, se os pais ainda são vivos, qual o nome deles todos, de onde vieram, se são do interior, que esporte ou lazer praticam! Não sabemos o que fazem nas férias, se gostam de ler, dançar ir ao cinema, enfim, se são felizes!? Coisas assim, sabe? Vivemos um mundo de superficialidades! Ainda acredito que, apesar de todo o progresso tecnológico, as pessoas ainda são movidas a emoções e sentimentos, mas se esqueceram disso! Gosto de estar próximo das pessoas, fisicamente, insisto em dizer que o calor humano ainda é algo vital e mais eficiente, embora reconheça que muitos já não pensam assim!

— E o que o Sr ganha com isso? Replicou a Raposa.

— Teu pensamento é tipicamente mercantilista Dona Raposa, onde as pessoas só se movem se ganharem alguma coisa em troca. Eu sou da era mítico – romântica, onde as pessoas ainda se moviam por amor à vida e às pessoas! No fundo não estou muito preocupado em ganhar nada. Apenas ajo assim por puro prazer! Porém, percebo que, agindo assim, sou mais feliz e creio que as pessoas também reagem de modo favorável, pois sorriem mais pra mim! Gosto muito de ver as pessoas sorrindo! Noto que essa atitude é mais promissora quanto a criar um espírito de equipe ou desenvolver um nível mais elevado de confiança! Pelo menos tem sido assim comigo!

— Mas o senhor não vê que acaba perdendo muito tempo com essas cortesias? Penso que se você se valesse mais das mídias sociais, dos tablets, i-phones, dos e-mails, faria bem mais visitas em um dia e, provavelmente, chegaria à sua meta de vendas mais cedo!

— Trabalho mais do que devia de qualquer jeito Dona Raposa e, com isso, acabo compensando o tempo que invisto em conhecer melhor as pessoas! Confesso que entendo o teu ponto de vista, mas ainda aposto mais na qualidade das visitas do que na quantidade. Estando na frente do meu cliente, sinto melhor as reações e o humor dele, posso ver seus desafios in loco e colocar-me ao lado dele como apoio. Creio que o relacionamento mais pessoal me ajuda a criar vínculos positivos, desde que eu saiba ser útil ao meu cliente! Não duvido que as mídias sociais são ótimas, mas, mesmo assim, o relacionamento é mais frio! Conheci um rapaz que tinha 2.500 amigos no facebook, porém, passou por um mal súbito, ficou 3 semanas internado no hospital e só 3 amigos o foram visitar, contando comigo!?

— Ok! Acho que te compreendo, mas que o tablet é muito melhor que um laptop é! Tudo bem que está ainda um pouco caro e as pessoas menos abastadas ainda não podem comprar! Disse a raposa.

— É verdade! Aceito que, em parte, esse me é mesmo um problema! Contudo, tenho ainda relutado em me desfazer do meu velho amigo aqui, pois ainda consigo fazer tudo o que preciso. Apesar da leveza, do design e tal, ainda acho que um i-Pad, por exemplo, vai me acrescentar mais à estética do que ao desempenho! Provavelmente eu mude meu discurso quando comprar meu tablet, não é Dona Raposa? kkkk

— Com certeza!

— Raposa Querida! Sinto não poder continuar com nossa agradável conversa. Infelizmente! Preciso me apressar, quero fazer uma ligação para minha filha. Hoje ela vai fazer uma entrevista de emprego e está um tanto ansiosa. Quero dar uma palavra de apoio a ela antes e transmitir mais segurança, dizendo o quanto ela é importante para mim! Com ou sem esse emprego! Quero dizer o quanto eu a amo e que boto a maior fé na competência dela e se, por acaso não der certo, é porque Deus está preparando um lugar muito melhor para ela trabalhar e ser feliz!

— Interessante! Disse a Dona Raposa!

Encerrando a conversa o Sr Javali disse:

— Dona Raposa, venha cá! Preciso ir, mas quero antes te dar um abraço! Hummmmm! Olha que Deus te abençoe e ilumine o teu dia! Lembranças a todos da sua toca! Até a vista!

— Até outro dia Sr Javali! Lembranças ao teu pessoal também! Até…

Marcondes                     13 de Setembro de 2013             02:39

Gostou? Então compartilhe

17 comments on “Primeiro o valor, depois a vida!”

    • Francisco C Marcondes Responder

      Olá Cícero!
      Respondi teu comentário no mesmo dia que você o postou, porém usei um procedimento incorreto e você não deve ter recebido minha resposta, por isso estou reenviando, ok?
      *************************************************************************
      Grannnnnde Cícero!
      Obrigado pela visita ao blog e pelo teu comentário.
      Fico feliz em saber que concorda com o meu ponto de vista!
      Grannde abraço e mais uma vez obrigado!
      Marcondes.

  1. Marcelo Responder

    Realmente, está faltando valores hoje em dia. Tantas infelicidades nas famílias e na sociedade que certamente não existiriam se as pessoas fossem dotadas dos verdadeiros valores.

    Marcondes, na Escola em que trabalho, o Diretor tem uma preocupação muito grande com a formação de valores dos alunos. Sendo assim, ele pede para que os docentes façam leituras uma vez por semana para toda a Escola na hora do hasteamento e arriamento da bandeira.
    Há 2 semanas atrás, além de divulgar o seu blog para a Escola, me permiti ler o seu texto “Confiança, a chave para vender mais” e que foi muito elogiado pelos docentes e coordenação. O próximo, com a sua licença, certamente será este.

    Um abraço,

    • Francisco C Marcondes Responder

      Olá meu irmão!
      Tava sentindo a tua falta.
      Sabe que você mora no lado esquerdo do meu peito e debaixo de sete chaves!
      Que privilégio o meu heim??!!
      Fico muito grato a você por essa gentileza!
      Diga a todos que prezo que todos descubram o quanto são importantes não só para si mesmos e suas famílias, mas como sementes de um País que será cada dia mais justo e próspero.
      Sou fã inabalável da educação e vejo em cada mestre, cada professor um instrumento de Deus!
      Pois que Ele nos abençoe e nos dê ânimo sempre, que nos coloque as palavras certas na boca e as atitudes mais adequadas, para que nossos alunos possam um dia dar seguimento à nossa visão de que um mundo melhor é construído pelas mãos de gente honesta e trabalhadora!
      Grannnnde abraço a você e a todo corpo docente!
      Vocês me são um presente de Deus!
      Muito obrigado mais uma vez pelo prestígio que você me confere e que eu reputo à todos os meus bons mestres e acima de tudo a Ele o meu grannnnnnde Mestre!
      Uma excelente semana pra vocês todos!
      Marcondes.

  2. José Pavani Sobrinho Responder

    A tecnologia é fundamental na vida moderna. A formação de novas gerações conservando os princípios que levam os indivíduos a se relacionar com fraternidade, respeito e amor pelo que fazem, sempre deverá existir.

    • Francisco C Marcondes Responder

      Estimado Pavani!
      Obrigado pela visita e pelo comentário.
      Vejo isso como um desafio.
      Sabemos da importância e da necessidade da tecnologia.
      Como usufruir corretamente dela sem perder a essência do bem viver?
      Tenho certeza de que é possível.
      Basta querer! Porém, muitos nem sabe se querem!
      Abração!
      Marcondes.

    • Francisco C Marcondes Responder

      Olá Elaine!
      Ganhei meu dia com teu comentário.
      Não havia me dado conta de que você o havia escrito, já há dois dias, por isso ainda não tinha te respondido.
      Muito obrigado pelo comentário e pela visita ao blog!
      Fiz uma experiência com esse post de, ao invés de fazer um texto corrido, colocar as ideias em forma de dialogo. Me inspirei por conta da foto das crianças.
      Fico feliz que tenha gostado!
      Abraço e um bom final de semana!
      Marcondes.

  3. Adair Bueno Responder

    Caro Marcondes, Primeiro parabeniza-lo pela palestra desta segunda dia 23/09. Excelente! E o texto acima, falta solidariedade, o ser humano está muito individual, olhando só para o seu umbigo. Realmente uma boa parte das pessoas não sabem onde estão muito menos onde querem chegar e com isto atropelam para se posicionar.
    Forte abraço!
    Adair

    • Francisco C Marcondes Responder

      Prezado Adair!
      Obrigado pelo comentário e pela visita ao blog!
      Fico feliz que tenha gostado da palestra. Minha intenção é trazer sempre bons palestrantes para motivar nossos associados!
      Eu penso que, principalmente nas grandes metrópoles, estamos rodeados de milhões de pessoas, porém é como se estivéssemos sozinhos, ou seja, cada um por si!
      Grande abraço e um ótimo final de semana pra você!
      Marcondes.

  4. Alexandre Responder

    Muito bom o texto….lembro de outra frase que li certa vez – dizia mais ou menos assim:”Estamos conhecendo para nos encontrar quando devíamos nos encontrar para conhecer.”
    Obrigado!
    Alexandre

    • Francisco C Marcondes Responder

      Olá Alexandre!
      Muito obrigado pela visita e pelo comentário.
      Você me fez lembrar de uma outra frase que diz o seguinte:
      Temos duas opções, confiar em todos até que alguém prove não ser digno de confiança, ou desconfiar de todos até que alguém prove ser merecedor de confiança.
      Grande abraço e um ótimo final de semana pra você!
      Marcondes.

  5. Edilson Responder

    Boa tarde amigo Marcondes.

    Esse texto me lembra muito o livro “O Vendedor de sonhos’ “O chamado”.

    Simples assim!!!

    Final de semna cheio da graçã de Deus sobre você e família!!!!

    Ósculo Santo!!!

    • marcondes Responder

      Olá Edilson!
      O Augusto Cury escreve com muita sensibilidade e profundidade.
      li o livro “O Futuro da humanidade” , escrito por ele e gostei muito.
      Um grande abraço!
      Marcondes.

  6. Amauri Hassui Responder

    Marcondes,

    Ando lendo suas colunas na ordem que me apetece e não necessariamente quando elas são escritas, daí o atraso do comentário.
    Acho que muitas das “modernidades” realmente servem mais para a estética do que para o melhor trabalhar. Além disso, acho que essas coisas, ao invés de facilitar a vida aumenta a carga de trabalho.
    Sem contar que a pressão pela utilização de novas tecnologias, quando a antiga ainda funciona perfeitamente bem, implica em mais trabalho para aprender a utilização das primeiras.
    Eu tenho tentado utilizar coisas novas, até mesmo um tablet, mas me policio para trabalhar o suficiente e então ter tempo para minha família, cachorros, ler, caminhar….etc.
    De qualquer forma, parabéns pelo texto, acho que sintetiza e materializa o que muitos, principalmente os mais antigos, pensam.
    Abraços

  7. Francisco C Marcondes Responder

    Estimado Amauri!
    Obrigado pela visita e pelo comentário.
    Creio que o bom senso é uma arte. Funciona como um pêndulo de relógio de parede.
    Um pouco pra lá é saudosismo, um pouco pra cá á não valorizar a própria origem.
    Um pouco pra lá e nos tornamos workaholics, um pouco pra cá nos tornamos descomprometidos.
    O pêndulo oscila cada vez menos à medida que nos vem a maturidade.
    Pelo que conheço de ti, noto que a justa medida te chega precocemente.
    Seria político, se não fosse verdade!
    Mais uma vez obrigado pela visita e pelo comentário!
    Grande abraço,
    Marcondes.

Deixe uma resposta