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As Missões da Moda

Em administração, assim como na vida, de um modo geral, qualquer caminho que se tome sempre nos levará a algum destino. O problema é saber se chegaremos a um lugar melhor do que o ponto de partida, onde nos encontramos hoje. Muitos livros ensinam que, antes de planejar o caminho, precisamos saber exatamente onde estamos e onde gostaríamos de chegar, ou seja, quais são as minhas metas para os próximos 3 meses, para o próximo ano, para os próximos 5 anos? Que nível de faturamento, participação de mercado, posicionamento, margens de lucratividade, nível de lembrança de marca e assim por diante, queremos alcançar?

Tendo uma idéia clara de onde pretendemos chegar e em quanto tempo, facilita-nos pensar nas estratégias e nos recursos necessários para tanto. Essa teoria nos força, de certo modo, a começarmos a pensar de dentro para fora da empresa. Onde “eu” estou e onde “eu” quero chegar. Pensar assim já ajudou muitas empresas a encontrarem o caminho do êxito, contudo, tende a colocar o centro das atenções nas próprias vontades e não nas vontades dos clientes. Obviamente nenhuma empresa sobrevive sem vendas, lucros ou crescimento e pensar assim ajuda a encontrar caminhos e alternativas, mas está aquém do estado da arte, pois empresas que se conscientizaram de que vendas, lucros e crescimento, nada mais são do que o desdobramento da plena satisfação do cliente, têm sido ainda mais, bem sucedidas.

Se o êxito de uma empresa virá como desdobramento da satisfação do cliente é muito importante ter em mente a missão, que esse cliente espera que cumpramos em favor dele. Pense nisso! Por que estamos tão desapontados com a seleção brasileira de futebol? Porque seus jogadores não cumpriram a missão que esperávamos tanto, ou seja, serem hexacampeões na África do Sul e, mais recentemente, campeões da Copa América. Se os torcedores tivessem a certeza de que o seu time cumpriria a missão de ser campeão, tais torcedores lotariam os estádios e não se importariam de pagar um pouco mais pelos ingressos, pois a emoção de ser campeão, não tem preço, para quem gosta de futebol.

O Barcelona é um dos times mais ricos da Europa. Seu estádio vive lotado e não vencem vender ingressos antecipadamente e camisetas de seus principais craques. Como esse time chegou a esse ponto? Porque tem um estádio bem grande e o consegue lotar em todas as partidas. Isso porque, contrata técnicos e jogadores que cumprem a missão de vencer e vencer de novo. Se um destes fraqueja, troca-se o por um novo galáctico que vence. Creio que o Barcelona não vê a venda, o lucro e o crescimento como um fim em si mesmo, mas como o desdobramento de uma emoção, a vontade de milhões de torcedores excitados para que o seu time cumpra a missão de vencer o campeonato mais uma vez. Ser campeão trás prestígio, trás distinção, além da oportunidade de extravasar as frustrações do cotidiano em um grande grito de “é campeão!” e, para muitos, a chance de zombar dos colegas que torcem pelo time adversário.

Como ficaria essa situação na questão da moda? Devemos criar uma nova coleção primavera-verão para alimentar a própria fábrica ou dar movimento às vitrines? Inovamos para vender, lucrar e crescer ou o fundamento da moda deveria ser outro? Que missões o cliente espera que a moda cumpra em relação às próprias emoções e ao que lhe poderia servir de compensação ou amparo, pelo todo que pode significar uma simples peça de vestuário em seus sonhos mais íntimos?

As missões são consolidadas provavelmente em uma cadeia de valores, sentimentos, tradições e culturas. É possível que na Finlândia o povo se torne mais feliz sendo hexa campeões mundiais de Ice Hockey. Então ! O que será que cada distinto segmento, cada grupo particular de clientes espera que a próxima coleção primavera-verão, cumpra para ele? Como tomar para si essa missão externa do cliente, convertendo-a em desenho e confecção, de maneira que venham a satisfazer plenamente o público alvo e se desdobre em muitas vendas lucrativas, que possam perpetuar os negócios? O que tocaria mais à flor da pele na emoção do cliente? O que o faria ficar desejoso de possuir, para cumprir a missão pessoal de ser mais feliz na próxima estação?

 

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4 comments on “As Missões da Moda”

    • marcondes Responder

      Olá Valdivino!
      Muito obrigado. Ganhei meu dia hoje!!
      Acabei postando esse artigo por engano, pois costumo publicar no blog assuntos mais voltados para o meio industrial, porém quando pensei em tirá-lo do ar, recebi seu generoso comentário e decidi deixá-lo.
      Tenho refletido muito sobre o aspecto “missões de uma pessoa”.
      Um profissional pode alcançar muito êxito em determinda perspectiva e naufragar em outra. Muitas vezes isso acontece porque concentrou muita energia em uma área em detrimento de outra. Assim, não é difícil encontrar um executivo nota 10, no meio industrial, que seja, em família, um pai nota 2,5 ou um marido 3,8.

      Descobri um dia que soava oportuno sempre me perguntar antes de iniciar qualquer evento, por que mesmo eu estaria iniciando aquela atividade.
      Um dia, antes de iniciar o planejamento de nossa convenção anual de vendas, me perguntei: Por que fazemos convenções de vendas?
      Em dúvida quanto a minhas próprias convicções, saí a perguntar para os gerentes de vendas, por que fazemos tais convenções.

      Para minha surpresa, as respostas foram as mais variadas. Não havia um consenso.
      Uns acreditavam que era para motivar a equipe. Outros estavam certos de que era para alinhar a equipe com os objetivos da empresa, para o ano seguinte. Outros ainda diziam que era para obter o comprometimento da equipe e no tempo livre para confraternizar.

      E !!! ???

      Cada um deles pode ter uma parte da verdade, contudo, as realizações parecem tomar mais velocidade rumo às grandes realizações, quando todos se conscientizam, aceitam e se comprometem com os propósitos específicos e concernentes a cada responsabilidade que assumimos, profissionalmente ou não. Em outras palavras, entendem e cumprem suas missões. Lembra-se do filme “Tropa de Elite 1”. Missão dada, missão cumprida!

      Bem, trata-se apenas de um jeito de ver as coisas. Se nos leva a refletir, que bom!
      Mas uma vez muito obrigado.
      Marcondes.

  1. José Luis Responder

    Se me ocurre que esta reflexión sería muy interesante y valiosa también para las organizaciones educativas. Ayudaría a decidir mejor que tipo de personas/profesionales formar. Obrigado..

  2. Pingback: Kardashians

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