Tudo seria muito melhor se o coração do homem fosse regido pela ética.

Ser ético implica em abrir mão do que é bom só para si, ou para si e seus aliados, em favor do que possa ser bom para todos. Embora a unanimidade seja praticamente impossível de ser atingida, valoriza-se o homem, que por intermédio de seus pensamentos e ações, contempla tudo aquilo que puder ser considerado nobre, justo e belo e que o tempo consolidou como sábio nos melhores livros sobre a história da humanidade e do universo.

Uma decisão ética não pode, portanto, valer-se apenas de uma perspectiva individual ou de qualquer outra que não traga como consequência a promoção do que possa contribuir para o bem estar e a harmonia do ser com o seu entorno, incluindo-se aí o universo no qual este está inserido.

Não significa apenas agir em favor do que seja melhor para os homens, uma vez que estes são somente um dos elementos do qual o universo, como um todo, se compõe. Muitas vezes aquilo que é benéfico à maioria dos homens pode ser danoso à fauna, à flora, ao solo, aos rios, mares e ares. Todos, sejam estes animais, vegetais, minerais ou o que mais haver, ainda que inanimados ou desprovidos de inteligência ou vontade própria, têm, por assim dizer, direito à existência e ao bem estar, tanto quanto o homem o tem em sua plenitude.

Quando um homem cuida de si mesmo já se lhe pode atribuir algum valor, mas se este, além de si, cuida da própria família, torna-se melhor. Se entender seus iguais como parte da família e tratar destes como trata dos seus, valoriza-se ainda mais, contudo, se estender esse conceito de família a toda a humanidade e a tudo o que o envolve e tratar a todos com igual respeito, pode ser então considerado imprescindível e universalmente ético.

Ser universalmente ético é abrir mão do que, em um nível menos elevado, possa ser considerado lógico e humanamente racional, para aderir a um pensamento superior, além da compreensão de muitos e que aos olhos dos santos possa ser considerado amor.

Dificilmente alguém poderá ser universalmente ético se não amar de todo o coração não só os semelhantes, mas também os dessemelhantes. Uma pessoa que não consolidar em si toda a essência do que significa ser humano e não for capaz de aceitar que não passa de pó orgânico animado, uma fração ínfima de tempo ao longo de uma cronologia infinda, não estará apta a universalidade da ética.

Todo aquele que não compreender em tempo a própria interdependência com o meio em que habita e não tomar para si as responsabilidades que por justiça lhe caiba e não tiver a competência de exceder os limites do ego, passará pela vida sem deixar vestígios de nobreza e não terá o nome citado no livro da honra.